sábado, 13 de setembro de 2008

eu


Sou filho do tempo... Às vezes sou brisa, outras vezes furacão. Por minhas veias correm todos os minutos e segundos e nada pode deter o inconstante fluxo de pensamentos que me povoam. Tenho 22 anos, mas sou eterno... Venho de outras eras, trago em mim a poeira de outros lugares, tão distante que nem mesmo a imaginação ousou um dia sonhar. E mesmo que um dia eu não esteja mais presente, ainda sim eu estarei aqui. Sou pequeno, mas a grandeza que trago em mim não é física, minha alma é minha verdadeira medida, pois é nela que vem impressa todas as minhas sensações, é nela que estão todas as marcas que me identificam. Se me perguntares quem sou, a resposta que te darei é: - não sei. Não que eu não consiga me identificar no meio da multidão, ou ao me olhar num espelho, mas é que a cada dia sou novo... a cada dia os contornos que me definem ganham novos traços e eu me permito aprender sempre e mais e só assim eu vou crescendo. Mas se mesmo assim quiser uma definição de quem sou, é só ir ao dicionário, eu estou lá, de A a Z, em todas as palavras.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

infinito


Qual a cor de minh'alma hoje? - você consegue vê-la?
- Acho que não... porque seus olhos nao percebem certos aspectro, assim como seus ouvidos não conseguiram escutar quando meu coraçao sussurrou "eu te amo" pra você.
Mas é assim mesmo... nem sempre os sentidos conseguem captar tudo que o mundo nos mostra.

Então, inocentes, nem chegaremos um dia a perceber a infinitude de tudo...

[...]

As vezes parece uma tempestade. Porem é so sentar um pouquinho, respirar fundo e ver que é apenas uma simples garoa. Eu, como sempre, aguardo sem pressa embaixo de meu guarda-chuva, porque sei que por trás das nuvens há sempre um sol que brilha. Ao fim, vale a pena perceber que o preço da vida é pago todo dia com um tantinho de felicidade, de riso e de sonho.

domingo, 7 de setembro de 2008

(desabafo)

Queria ser menos sensivel, mas não dá pra ficar indolor quando se é atropelado a todo momento pela realidade. As vezes criamos uma atmosfera de ilusão em torno de algumas coisas ou pessoas, mas quando as nuvens passam e o rosto da verdade se torna visivel o suficiente é que percebemos que nada é realmente o que parece.
Precisamos sempre de amigos, e cada vez tenho mais certeza que procuramos nos outros aquilo que nos falta: um pouco de sabedoria aqui, um tanto de força, de alegria, de humildade, um bocado de amor e companheirismo, de sinceridade, uma boa quantidade de irresponsabilidade, de juizo, de riso, de carinho e aconchego. Mas e ai - e quando isso tudo é só ilusão?
Amigos a gente não escolhe, eles surgem e vã preenchendo todos os espaços e se tornam tao imprescindiveis quanto um copo de água ou um sopro de ar. Triste é perceber quando a confiança depositada, a atenção e o amor dispensando, tudo isso é em vão, tudo isso nao vale de nada. Amizade é, antes de tudo, alteridade - uma via de mão dupla que só cresce quando é fecundada pelas duas partes. Não adianta nada um somente dispensar todos os esforços, enquanto o outr lado se torna duro e indiferente.
O tempo, ao fim, como tudo na vida, tem duas faces: serve de anestesico para certas dores da alma, mas tambem pode tornar feridas mais abertas, algumas vezes até incuráveis.

domingo, 24 de agosto de 2008

medo

Mais uma vez a vida dá uma volta, e as mudanças se mostram inevitáveis. Nesse entretempo só sobra espaço pro medo tomar conta, as vezes só como um leve friozinho na barriga, outras tantas tão forte que chega a paralizar.
Tenho 22 anos, as vezes me sinto onipotente, capaz de abraçar o mundo e ainda ter espaço de sobra; já agora e assim é por diversas vezes, me sinto tão minúsculo e frágil que o que eu mais quero é um colo pra me abrigar e onde eu possa colocar a cabeça e chorar.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Segredo

Vou lhes contar um segredo:

Quanto mais eu rezo

Mais tenho duvidas

Se dois mais dois

São realmente quatro

Ou se já viraram três.

Vou lhes falar mais:

Quanto mais eu penso

Na infinitude do tempo,

Mais eu relembro da

Inexatidão das nuvens,

Que hora são coisas,

Outra hora são apenas fiapos.

E por isso tudo vou vivendo

Na mais completa solidão,

Não de corpo, porque essa não tenho,

Mas de alma, que é minha sina.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

100

De repente abri velhas cartas, poucas foram as que eu recebi, a maioria são as que nao foram entregues - Silêncio - Palavras que nunca foram lidas, frases soltas, sem sentido algum (agora)... e velhas emoções me revisitaram, todas tolas, assim como todas as cartas. Disse o poeta uma vez: "todas as cartas de amor são ridiculas" - e mais uma vez teve razão.

Agora me lembrei porque elas nunca foram entregues - ainda bem.
_______________________________

Ainda nao sei o que vou ser quando crescer, talvez um soldado de chumbo, ou um artista de circo (um palhaço, um malabarista ou um mágico), ou quem sabe até um louco solitário, apaixonado pela lua... quem sabe... quem saberá...
_______________________________

Só sei de uma coisa... o não saber é uma virtude. E, diferente do que dizem a ignorância não é a mãe de todos os pecados - a incompreensão sim é que envenena a alma.
_______________________________

Uma vez eu me perguntei e mais uma vez eu me pergunto...
Pra que salvar as baleias se somos nós humanos que precisamos de salvação?
_______________________________

PS: essa é a centésima postagem... quem diria que chegaria a tanto!!!

dias


Há dias na vida em que a vida não nos permite andar nas nuvens, talvez haja um “que” de mistério nisso tudo que não goste de mostrar a sua face, como aqueles velhos segredos, que se reviram em baús guardados em borradas lembranças de outrora.

Há dias na vida em que as matizes geladas de cinza pintam tudo: não deixam os quentes vermelhos ou os azuis refrescantes aparecerem, no máximo uns amarelos pálidos ou uns laranjas outonais.

Há dias também em que nem os mais estrondosos gritos conseguem ser ouvidos, há silêncios muito mais profundos, palavras não ditas, contidas em alguma garganta, em algum peito, ou nem há nada mesmo, só a solidão de um pôr-do-sol.

Por falar em solidão – velha companheira – lembro de certos vazios em minh’alma, nunca preenchidos, nem mesmo pela matéria dos sonhos, ou por canções sem sentido.

E após esse breve parênteses, abro aspas e escrevo: “Quando o mundo a nossa volta parece girar mais depressa e um dia parece ter a metade de um dia qualquer, o melhor a fazer é se agarrar no chão pra não ser centrifugado para fora de tudo, para fora do tempo, para fora de si mesmo”. Logo após eu fecho as aspas e ponho um ponto final nisso tudo.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

entre aspas

"É tudo tão assustador e tão misterioso. A vida é uma realidade mistica - um plano alpha, onde só vive bem quem não anda com os pés no chão. Não basta querer a realidade, ou mesmo viver atrás de uma lógica pra explicar tudo, na verdade não há nada pra ser explicado, as coisas são infinitas nelas mesmas e basta imaginar que se sente. Eu não preciso te tocar ou te ter pra sentir o seu sorriso me envolvendo e me perder no labirinto de seus olhos.

O tempo passa, o espaço em torno de mim muda, e eu me transformo: o que antes eu tinha como verdade hoje se relativizou e evapora como éter. Sou humano: acerto, erro, faço, penso, me arrependo, não me arrependo e sigo em frente. Sinto saudade de momentos, mas momentos tão surpreendetemente felizes que poderiam ter durado apenas um segundo, que mesmo assim eu me lembraria com êxtase."

domingo, 27 de julho de 2008

¬¬

As vezes eu queria gritar - mas pra que? o que eu quero falar só eu entenderei mesmo... tudo que quero falar é incompreensivel para os outros. Às vezes eu queria correr, correr não sei pra onde e correr não sei do que... só correr, como Forrest Gump corria, em direçao ao nada. Às vezes eu sinto uma nostalgia tão grande e de tantas coisas, que tudo me aperta por dentro e eu penso em outras coisas, porque senão tudo pode me sufocar.